No centro de saúde
Hoje vi o jogo no centro de saúde*. O que por lá vi dava para colorir umas páginas de um livro, uns salpicos pelo meio de uma outra história. Será que é assim, indo ver jogos de bola para o centro de Saúde, que se enchem chouriços (que por vezes são o melhor que alguns livros têm)?
Sobre a angústia do escritor enquanto jovem ignorado leia-se na primeira pessoa este relato da vizinha Dunyaze no Escrita. Começa assim:
"Mandei .. três (3) e-mails a três (3) editoras perguntando se podia enviar para apreciação o meu último livro. Neles descrevia a história e dava a ler um trecho do 1º capítulo (para terem uma ideia do tom da obra).
A semana passada. Até agora nenhuma me respondeu. Fixolas.
Epá, eu tive a cortesia de perguntar primeiro, percebem? Porque não quero estar a desperdiçar o tempo deles - nem o meu. Já para não falar do dinheiro (que é escasso e usado em comida porque, infelizmente, os escritores não vivem do ar nem da puta da Musa e têm de comer todos os dias).
Assim o que é que eu faço? Mando à mesma o manuscrito? Não mando? (…)"
* Não posso deixar de dizer que o atendimento e o serviço foram excelentes, dos administrativos à médica de família, passando pela enfermeira: a anos luz de outro que recebi numa clínica supostamente toda pipas, para as bandas de Alvalade. Serviço Público 10, Serviço Privado 0.

)


Esqueceu-se de classificar as Farmácias. Compreende-se, numa e noutra, excelente. Nem se valoriza.
Daqui a uns tempos, se as suas teses vingarem, verá a diferença.
Felicidades para a criança e para os pais.
Comment by Boticário — 22 June, 2006 @ 12:49 am
Esqueceu-se de classificar as Farmácias. Compreende-se, numa e noutra, excelente. Nem se valoriza.
Daqui a uns tempos, se as suas teses vingarem, verá a diferença.
Felicidades para a criança e para os pais.
Comment by Boticário — 22 June, 2006 @ 12:49 am
Eh pá, mas eu não classifiquei os dois “sistemas”. O 10 a zero é de um jogo de campeonato, não de uma final de mata-mata. Já vi um pouco de tudo em mabos. Uma diferença tão gritante em tão pouco tempo com clara desvantagem para o especialista privado perante um generalista público é que não tinha visto.
As farmácias da minha zona (eixo Av. Duque de Avila -Alameda - Morais Soares) estão “em estudo” e encontro de tudo. Diferenças de preços significativas para o mesmo produto é mato o que é espantoso atendendo à proliferação de farmácias que há nesta zona. O atendimento, em regra, é bom.
Comment by Rui MCB — 22 June, 2006 @ 10:24 am
A culpa é minha.
Se tivesse participado no Big Brother não tinha estes probelmas, lol :p
Comment by Dunya — 22 June, 2006 @ 1:26 pm
:-)))
Comment by Rui MCB — 22 June, 2006 @ 2:31 pm
quando somos bem - atendidos numa instituição publica e o salientamos , mostra como existe uma perversão na maneira como os portugueses olham a administração publica.estes acontecimentos são um excepção e dai serem salientados.quando devia ser a regra.e dai ficarmos suprendidos quando nos deparamos com a excepcção…
Comment by menino mau — 22 June, 2006 @ 5:00 pm
Ó menino mau permite-me mitigar um pouco esse raciocício. Por definição a regra é sempre sublinhar tudo o que é mau, a excepção é atrever-nos a falar do que está bem, daquilo de que gostámos. Por isso acho que não dá muito para extrapolar isso para a análise limitada público versus privado.
Tinha tanto de mau a sublinhar na minha última experiência empírica no privado que fiquei aliviado por ter encontrado logo a seguir outra experiência oposta (por acaso no público) que me poupo a dizer mal, fica o dizer bem… Quer dizer, não resisti ao 10 a zero, mas tirando isso… Tens um bocadinho de razão, mas só um bocadinho.
Comment by Rui MCB — 22 June, 2006 @ 11:12 pm
Estes atendimentos no Serviço Público não são nada excepção. Conheço vários e só tenho a dizer bem. Pelo contrário, no privado se as coisas demorassem mais 2h tinha perdido o meu filho mais novo porque a parteira, que estava de serviço na clínica quando cheguei, não lhe apeteceu mexer-se para chamar o médico e deu-me medicamentos para dormir.
Comment by Cecília — 23 June, 2006 @ 12:53 am
acho que são a excepção.Toda a gente já se deparou em qualquer posto de finanças , segurança social ,hospitais, centros de saude , com funcionários carracundos , mal -educados , resingões , a falar sobre a telenovela de uma secretária para a outra , muitas vezes com explicações técnicas sobre as questões que se levantam contraditórias entre si ( quantas vezes já não disse a frase ” mas o seu colega disse-me que era doutra maneira..”).quando se diz à boca cheia “fui tratado bem naquele serviço publico..”.bom, é a obrigação de uma instituição publica!o facto de o Estado ser monopolista de certos serviços não lhe dá o direito de tratar mal os cidadões..
Comment by menino mau — 23 June, 2006 @ 10:43 am
Quando fui registar a minha criança aconteceu-me outra engraçada. Cheguei e tirei uma senha.de tipo X. esperei, vi todas as pessoas que tinha senhas de tipo Y ser atendidas e eu fiquei à seca, sozinho. Reparei numa funcionária escondida atrás de um biombo perto do balcão co ma tabuleta que tinha os dizeres que me interessavam, mas ela nada.
Até que um colega (um superior) que estava no extremo oposto da sala me pergunta ao que vou e manda um berro à senhora que estava ao pé de mim, meio escondida atrás do biombo. Pergunta-lhe se estava de serviço (estavamos em período de almoço). Ela, disse que sim. “Então vá atender este senhor”. E ela lá veio da cadeirinha a arrastar os pés e com umas trombas… Depois de um tratamento rude da senhora, acabei por ter de regressar meia hora depois com um documento que faltava e apanhei a chefe da repartição ou lá o que aquilo é a falar (por detrás de outro biombo) com um sub-chefe a dizer-lhe que a sra. Fulana (a tal que me tinha atendido) tinha de começar imediatamente a aprender a trabalho no outro projecto e que em uma semana tinha que ter o novo trabalho feito. E eu à espera mas curioso com a conversa.
Instantes depois aparece-me uma senhora para me atender. Pela voz reconheci que era a chefe da repartição e que topando o meu ar espantado começou a conversa com um “desculpe lá ter de estar a ouvir estas coisas mas tem mesmo de ser assim senão não vai lá”.
Acabámos em amena cavaqueira com a senhora a contar-me alguns detalhes/desafio que tinham pela frente.
Aqui há uns anitos acho que estas duas cenas seriam impensáveis. Um pouco tristes pelos métodos mas ainda assim quem me dera que os episódios sejam representativos dos sítio tipicamente mal fadados no passado.
Comment by Rui MCB — 23 June, 2006 @ 11:11 am