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22 August, 2006

Certas e determinadas coisas?

Filed under: Media, Política
Estimado vizinho, o Eduardo Cintra Torres, que parodia, estebelece uma relação de causalidade  identificando a pressão (o gabinete de José Sócrates), o pressionado (a RTP) e a consequência: deixar de dar visibilidade noticiosa aos indêncios. Põe-se portanto a jeito para ter de responder perante a justiça se "as informações de que dispõe" não aparecerem para sustentar os seus factos e também perante quem investigue se estatisticamente se sustenta a hipótese de redução de visibilidade dos incêndios na RTP (comparando com as restantes TV e com o comportamento seguido pelos canais nos últimos anos).
Confesso que não percebi muito bem a que propósito a paródia com essas "certas e determinadas coisas" sobre "alguns" blogues. A comparação com a paródia, neste caso concreto, enobrece o artigo de opinião em vez de lhe expor fraquezas. Desconfio que não era esse o objectivo… Se quiser elaborar para que melhor o entenda, é um favor que me faz.
 

9 Comments »

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  1. Quem acusa (ECT) tem de apresentar provas, sob pena de ter de responder em tribunal por difamação.

    “a hipótese de redução de visibilidade dos incêndios na RTP (comparando com as restantes TV e com o comportamento seguido pelos canais nos últimos anos)”

    Ou seja, propõe que a televisão pública seja comparada com estações que estatisticamente são mais sensacionalistas? Que o exagero na cobertura de fogos dos últimos anos nunca possa ser corrigido?

    Comment by Ângela — 22 August, 2006 @ 3:47 pm

  2. Não Ângela, não é nada disso que eu proponho.

    Admitindo que o grau de sensacionalismo já não vem de agora e que as diferenças entre canais já vêm detrás, é de esperar que este ano não tenha fujido à regra face aos anos anteriores. Ou seja, seria muito de estranho se, por exemplo, quando nos últimos anos para cada 100 minutos de incêndios na SIC havia 50 na RTP este ano esses números tivesse passado de 100 para 10. A SIC teria aumentado desmesuradamente de sensacionalismo? A RTP mudou de política (dando assim azo às suspeitas de Cintra Torres)?
    É este tipo de comparação que habitualmente os estudiosos deste mercado se dedicam a fazer, contanto referências, minutos, etc e comparando-os com períodos anteriores e respectivas médias de referência. Era algo do género que tinha em mente.

    Comment by Rui MCB — 22 August, 2006 @ 4:51 pm

  3. Um dos debates dos ultimos verões tem a ver com a excessiva visibilidade dos incêndiosnos media. Tem sido uma “tábua de salvação” para toda a informação, numa altura em que há poucas histórias. Mas tal como os suicídios, os incêndios nas TVs também incentivam os incendiários. É revelador o perfil dos incêndiários detidos recentemente.
    ECT é um incêndiário. Foi atraído pelas chamas. Sabe chamar a polémica para o seu lado, o que é sempre uma boa forma de chamar a atenção, mas por vezes falha. Foi o caso.

    Comment by António Oliveira — 22 August, 2006 @ 8:05 pm

  4. O meu entendimento desta questão parece-me ser um pouco diferente da vossa, talvez porque a certa altura também tivesse sentido, ao ver a RTP, que nada se estava a passar.
    Concordo inteiramente que se devia pôr termo ao espectáculo do ano passado. Parece que a RTP promoveu um acordo com as outras estações de modo a que as reportagens perdessem o carácter espectacular.
    Mas não é a isso que ECT se refere. O que ECT diz é que as notícias foram reduzidas ao mínimo. O gerês estava a arder e até parecia que não acontecia nada. Uma frase chegou para noticiar este facto. A isto chamou censura e de facto a sensação foi essa para quem esteve atento a esse tipo de notícias.

    Comment by Cecília — 22 August, 2006 @ 11:48 pm

  5. Boa resposta caro Rui.
    De resto, estou pouco interessado em saber se passou na RTP mais ou menos tempo de incendios (ou ignições como agora António Costa quer por toda a gente a dizer….). Isso é lá com eles, façam o que quiserem.

    Agora, acusar o primeiro-ministro de ter mandado que assim fosse, isso sim é que é importante. Evidentemente espero ver vários processos crime contra o ECT. Caso contrário é que acharei ainda mais estranho.

    Comment by Gabriel Silva — 23 August, 2006 @ 12:43 am

  6. Acho que o Gabriel tocou no ponto principal, é suposto o gabinete do PM não meter o bedelho nas peças ou nas opções editoriais da RTP. Vejamos o que chega e o que se sabe nos tribunais. Como seria bom que a sentença de conhecesse ainda antes de nos esquecermos da polémica. Talvez mesmo ainda antes das próximas legislativas, por exemplo…

    Comment by Rui MCB — 23 August, 2006 @ 1:06 am

  7. Se Sócrates responder, prova que não aprendeu a lição do velho padrinho. Mário Soares, acusado, com muito mais evidência, de coisas muito mais graves, nunca deu troco. Não se fala, não existe, era a técnica do sabidão. Que há-de morre sem nunca ser condenado.

    Comment by Sokal — 23 August, 2006 @ 4:02 am

  8. As coisas estão de pernas para o ar. Quem acusa é que tem de explicar e provar, se for caso disso. Não a RTP. ECT funciona por vezes como o Correio da Manhã dos opinion makers. É um estilo a respeitar, mas, na mimha opinião, não é para ser levado a sério. É extremamente fácil para alguém com a visibilidade de ECT criar polémica. No entanto, não deixa de ser um isco, para incautos. ECT nem sempre é feliz com o que diz e muitas vezes a estória tem destinatário. O que é mau. Há, no entanto, uma coisa que admiro no ECT: nunca aceitou ir para assessor, ou coisa do género. O que é bom. Dá-lhe credibilidade. No entanto, todos nós temos delírios, e afinal, estamos na silly Season, que atinge todos. Veja-se o que aconteceu ontem na Sic Notícias…

    Comment by Antonio Oliveira — 23 August, 2006 @ 10:19 am

  9. Li a crónica do Luis Cintra e só posso dizer: se é verdade, é muito grave. E não é a primeira vez que se acusam governos de se intrometerem nas notícias, nas programações, nos próprios programas e comentadores.
    Que hajam cuidados para evitar a notícia sensacionalista que faz da tragédia espectáculo de entretenimento, isso é outra história, mas não é disso que o artigo trata. Pelo pouco que acompanhei, e o caso do Gerês foi o que mais me atraiu, só posso dizer que, retrospectivamente, tenho que dar razão às críticas de falta de destaque e de informação sobre a importância das zonas afectadas.

    Comment by pepe — 23 August, 2006 @ 10:40 am

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