Ex - Adufe 3.0

27 October, 2006

Futuro preâmbulo da constituição dedicado ao legislador em causa própria

Filed under: Política

Worry not on what you should be doing to respect the law, worry instead on what you should pay for the fouls that you will surely commit.

Eis o futuro preâmbulo da constituição portuguesa num parágrafo dedicado ao legislador. Em suma, caro Luís, daqui a uns anos talvez chegue a ser de jure, para já é "apenas" de facto. É este o espírito dos fazedores de leis que se deduz dos exemplos que temos.

Eis como entendo a coisa em frases curtas para não fugir ao essencial.
  • A desfaçatez é a falta de respeito pela lei.
  • A desfaçatez tem grau, tal como o respeito pela lei.
  • As consequências para a solidez da democracia da desfaçatez dos partidos-legisladores não são as mesmas que as provocadas pela desfaçatez do cidadão comum.
  • Os primeiros representam e são eleitos como exemplo dos segundos.
  • Os segundos crê-se que tenham entre eles algumas ovelhas negras que justificamem boa medida o trabalho dos primeiros.
  • Os primeiros não podem aprovar a penitência em causa própria demonstrando que pouco fazem para cumprir a lei e esperar que a absolvição venham por automatismo com a conta a cobrar enviada pelo tribunal.
  • A penalização política costuma fazer-se por via da voto, mas o que fazer, caro Luís, quando fica demonstrado que ninguém se preocupou em ficar limpo, em dar o exemplo, em respeitar rigorosamente a nova lei.
Eu acho que é com "coisas" destas que pomos em risco o nosso regime actual.
 

4 Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://adufe.blogsome.com/2006/10/27/futuro-preambulo-da-constituicao-dedicado-ao-legislador-em-causa-propria/trackback/

  1. Caro Rui
    Já se percebeu onde queres chegar e existe acordo de fundo com o que dizes.
    Só faço finca-pé no aspecto de que é melhor ter acontecido isto, porque fica provado que a democracia continua a ser o regime que me interessa.
    Quanto a todas as frases que escreves fixo-me na última para te relembrar que só há democracia com cidadania. Está na mão dos cidadãos o espectro político. Claro que é muito mais fácil esperar acontecer do que ser parte do acontecimento, mas os sofás continuam demasiadamente confortáveis, não é verdade?
    Se estes Partidos não servem, que se aja para que passem a servir, ou se criem outros. O que nunca poderemos é ficar de braços cruzados a protestar e deixar que tudo corra sem o nosso trabalho e esforço.
    Assim como entendi, logo desde o início a tua posição (com que estou de acordo no essencial), penso que também já terás entendido a minha.
    Mais vírgula, menos vírgula

    Comment by LNT — 27 October, 2006 @ 1:49 pm

  2. O que mais me espanta hoje em dia entre os cidadãos é a incapacidade de tantos em se indignarem, julgo que por não se identificarem com o regime que temos, como se não fizessem parte dele.

    Para que as pessoas saiam dos sofás (ainda que esta expressão dê todo um “programa” - há tanto que deveria e poderia ser feito sentado num sofá, mesmo na governação do país e que não o é! começando por saber fazer contas) é preciso que elas percebam que têm de sair dos sofás e isso passa sempre por elas perceberem que quem hoje domina o sistema de partidos não serve. E mais : que a situação se está a deteriorar. Ou pelo menos que deveria agora ser mais evidente, 30 anos de democracia e tal…

    E aqui o grau de incompetência ou de desfaçatez não é irrelevante. Todos toleramos um certo nível de desfaçatez e cada um tem o seu ponto de ruptura. Tal como cada um reage de forma distinta a essa ruptura. Pode ser que havendo quem vá lutando pela não banalização da dormência e da desfaçatez protagonizada por tantos políticos a coisa ainda tenha alguma salvação. Agora não nego caro Luís que hoje, para mim, nenhum partido me convida a sair do sofá, ou por outras, vejo hoje isso como um péssimo investimento com resultados extremamente incertos quanto à qualidade da intervenção democrática que por lá pudesse fazer.
    A alternativa é formar outro partido mas aí meu amigo, o regime pode ter no seu seio a marca da sua auto-destruição, tais são as barreiras à entrada “em vigor”.
    Sim, a prazo o cenário é assustador e se alguma coisa a história nos ensina é que nenhum regime é um dado garantido.

    Mas como disse pode ser que aqueles que como eu se identificam pouco com os “canais” tradicionais de fazer poítica arranjem uma solução. Uma solução que se fará cada vez mais contra os políticos e os partidos existentes com as honrosas e justissimas excepções. E já agora para terminar, já há muito que há uma trincheira cavada, cavada por políticos cegos que há muito (independentemente da sua idade) perderam a noção de qual deveria ser o seu papel na nossa democracia e que aguardam de dedo no gatilho o embate contra as aves raras que tentam algo diferente. Cirurgicamente têm tido sucesso afastando muitos dos que ofereceram a sua boa vontade e inteligência “independente” ao serviço do país.

    Depois continuamos a conversa. Agora tenho de ir. Sair do sofá para ganhar o pão.

    Comment by Rui MCB — 27 October, 2006 @ 2:59 pm

  3. OK
    Bom trabalho.
    Agora vou sair do meu e passar pela minha Secção para votar no futuro do meu Partido.
    Um abraço Rui.
    É-me sempre vantajoso ir debatendo estas coisas contigo.

    Comment by LNT — 27 October, 2006 @ 5:47 pm

  4. E eu do meu. Vou estar ausente e recarregar baterias no Portugal Profundo.
    É sempre um gosto!
    Um abraço e que eu me engane (nomeadamente sobre o PS) ;-)

    Comment by Rui MCB — 27 October, 2006 @ 6:45 pm

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>



Anti-spam measure: please retype the above text into the box provided.








Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Hadley Wickham