Ex - Adufe 3.0

21 December, 2006

Na Travessa de Santo António, Benquerença

Filed under: Bulir Mundo, Diário

A amoreira da minha infância, a mais espledorosa árvore de fruto que conheci, chegou ao jornal, infelizmentente. Pior destino que a árvore que morre queimada pelo fogo democrático é o daquela que merece o desprezo activo e personalizado do algoz. Eis uma notícia do Jornal de Fundão que o João Melo me fez chegar por e-mail.

"Destruição de velha amoreira pode acabar em tribunal
O ABATE de uma amoreira centenária, na Benquerença, Penamacor, na sequência de obras realizadas pela EDP, poderá transformar-se num caso de tribunal. O proprietário, dr. Pedro Lopes Dias, que já protestou junto da EDP e do Ministério do Ambiente, afirmou ao “Jornal do Fundão” que “é importante, até por questão de cultura ambiental, contestar este tipo de abuso de poder, para mais tratando-se de uma árvore legalmente protegida”. A população da freguesia também não escondeu a sua desaprovação quando viu o resultado dos trabalhos realizados por ordem da EDP: a amoreira arrancada e um poste colocado no muro, no local que é precisamente conhecido como Rua da Amoreira. “Tudo à minha revelia (arranque da amoreira, colocação do poste e invasão da propriedade por uma pesada máquina), pois também eu fui surpreendido quando vi o deplorável espectáculo”, diz o proprietário.

A insensibilidade face ao património natural (aquela árvore constituía um património), em obras públicas ou afins, é uma lamentável prática. E, no entanto, se nos reportarmos à amoreira verificamos que a lei é taxativa: “É expressamente proibido o corte, arranque, transplantação ou destruição, por qualquer meio, de amoreiras”.

A Rua da Amoreira ficou sem a sua árvore simbólica. A amoreira resistiu décadas a tudo. Venceu intempéries, ultrapassou uma ou outra agressão pontual, conviveu com o progresso. Só não resistiu à insensibilidade. Bastava desviar uns metros… "

Adenda: Noutra zona do país , as práticas são diferentes (veja-se esta notícia de hoje no DN). 

3 Comments »

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  1. É um facto. Quando soube do caso, e já tinha notado a falta dela, fiquei estupefacto. Ainda para mais, quando, ao que parece o referido proprietário, ficou sem a amoreira, e ganhou um fantástico poste de electricidade no seu quintal, isto sem ter sido nem achado sobre o caso. Diz a minha avó, que sempre se lembra da existência da amoreira, e ela já conta com 93 anos. E pensar que ainda o ano passado lá andei a colher amoras e ainda ganhei novos tons para a minha velha roupinha…

    Comment by ajbranco — 21 December, 2006 @ 6:33 pm

  2. segundo tenho conhecimento já está a rebentar.
    verdade?

    Comment by sao — 25 August, 2007 @ 7:11 pm

  3. A rebentar a amoreira?
    Passei por lá hoje e não dei por nada. Acho que foi tudo removido, raizes incluidas.

    Comment by Rui MCB — 26 August, 2007 @ 7:42 pm

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