Boa sorte estimado jornalista Fernando Correia
Fernando Correia é o director do novo jornal "Diário Desportivo" que estará disponível em distribuição gratuita na próxima semana. Oito jornalistas, dois directores, muitos colaboradores externos. Foi o que li hoje na imprensa em jeito de apresentação. De caminho, devido "à incompatibilidade entre os dois meios (!)", terminará a sua carreira na TSF. Acabaram-se os relatos? Já tenho saudades.
Só para que conste e nem sequer relevando significativamente os relatos (e a bancada central), Fernando Correia está para mim no top 10 dos Jornalistas portugueses. Noupe, não me esqueci de acrescentar desportivos. Esforço, dedicação, devoção e… isenção. Suponho que este poderia bem ser o lema que nos tem deixado. Aliás, o que é isso de ser-se jornalista desportivo?
P.S.: Para se perceberem melhor alguns pormenores envolvendo a saída de Fernando Correia da TSF convém ler esta peça do Público a que cheguei via Gabriel do Blasfémias
Retenho particularmente este parágrafo:
"(…) Na apresentação do novo título, ontem em Lisboa, e mediante a pergunta do PÚBLICO sobre como ia conciliar a função de director do diário com a Bancada Central da TSF, Fernando Correia respondeu: “Fui despedido há duas horas da TSF”. Porquê? “Porque sou director do ‘Diário Desportivo’”. José Fragoso explicou que “não é compatível a direcção do jornal com as funções que Fernando Correia tinha na rádio” e que terá levantado a questão na TSF, rádio detida pela Controlinveste, a quem também pertence o desportivo “O Jogo”. (…)"

)


vamos por partes.
1.Do ponto de vista operacional , não seria incompativel.
2.tambem não foi correcto a maneira como Fragoso despediu Fernando Correia , afinal uma das “vozes” da TSF desde sempre.
3.Mas estar a “comer ” de dois lugares diferentes , quando os grupos editorais são concorrentes convenhamos não é a situação mais normal nem mais conveniente.
4.Fernando Correia devia ter -se desde logo apercebido do embaraço que tal situação acarreta e desde logo ter-se demitido.
Comment by menino mau — 4 January, 2007 @ 11:45 am
A decisão da TSF foi legítima tal como seria legítima se tivesse sido diferente. Há magotes de jornalistas a trabalhar para dois grupos diferentes )principalmente jornallistass já com gabarito, quem dera aos outros), o mesmo já se passou no passado na TSF no jornalismo desportivo. O próprio Fernando Correia já trabalhou para dois órgãos de comunucação social em simultâneo, pertencentes a grupos económicos distintos (sendo um deles a TSF). Opções de negócio. Ponho dúvidas se terão sido no melhor interesse da TSF - Rádio Notícias. Provavelmente tem mais a ver com princípio do grupo.
Comment by Rui MCB — 4 January, 2007 @ 12:33 pm
ah rui não são só opcções de negócio.são tambem questões éticas.E de confiança.Não pode estar com 1 grupo económico, ter relações com ele , partilhar informações operacionais de estratégia e depois assumir cargos de direcção em outro grupo. Não é uma relação muito transparente , convenhamos.É como ter a raposa dentro do galinheiro.
Posso ter muita simpatia pelo ar patusco e bonacheirão de Fernando Correia , mas não se pode por o homem no Andor. Ele tambem fez erros neste processo e isso não se pode negar.
Comment by menino mau — 4 January, 2007 @ 1:19 pm
Hum. Como digo está no direito da TSF (ou o grupo em que se insere) defender essa linha de orientação, mas não me parece que ela tenha sido coerente ao longo dos anos. E olhando para a prática comum naquele meio não me parece que o Fernando Correia tenha feito algo criticável. Durante algum tempo já havia sido até director de um jornal desportivo e jornalista da TSF… falo do jornal do Sporting.
E quantas vezes directores de jornais desportivos ou redactores são comentadores residentes de outro órgão de comunicação social (que não da imprensa)? Quantas vezes o Fernando Correia não fez já trabalho de jornalista para a TVI e para a TSF? Ou o Perestrelo havia feito para a SIC e para a TSF? Ate´aqui trabalhar numa TV de um grupo e numa rádio de outro não parecia ser um grande problema para a TSF.
Comment by Rui MCB — 4 January, 2007 @ 3:32 pm
são coisas diferentes .compreende-se que acumule ( “ei , um gaijo tem de viver!”) .Agora é diferente um cargo de direção num fenómeno editorial novo como são os gratuitos do que um cargo de direção no jornal do sporting (ainda para mais do Sporting
.Até porque o jornais de clubes são fenómenos marginais no panorama mediático.
Olha Rui se calhar estamos aqui a “discutir” mas se calhar não temos a informação toda. Deve faltar uma peça do puzzle ..
Ainda assim , esta foi uma “boa malha”.
Comment by menino mau — 4 January, 2007 @ 4:07 pm
Tens razão, se calar falta mesmo qualquer coisa. Mas o teu argumento do cargo pode ser determinante; uns relatos na TV ainda vá agora dirigir um jornal concorrente de outro que até pertence ao mesmo patrão que te paga o salário alto lá (ainda que os relatos tambémm concorressem com a Sport TV que também é do mesmo patrão). De qualquer forma, se os jornalistas da TSF tivessem obrigações profissionais para com todo o grupo (terem de fazer uma perninha no jornal quando lhes fosse pedido) a incompatibilidade faria mais sentido e deveria abranger todos, indepentemente do cargo que ocupassem… Provavelmente falta mesmo uma peça do puzzle.
Um abraço.
Comment by Rui MCB — 4 January, 2007 @ 4:25 pm
OK. querem que vos diga qual é a peça do puzzle que falta? É que o Joaquim Oliveirinha anuciou há para aí uns 2 meses (não me lembro da data certa, mas li uma notícia pequenina sobre o assunto na secção Media do Público) que o seu grupo tinha intenção de lançar a curto prazo o - imaginem só - primeiro diário desportivo gratuito em Portugal. Aqui é que está a incompatibilidade pois não me parece que estes desportivos gratuitos façam muita mossa às “bíblias” do jornalismo desportivo
Comment by Sexto Violino — 5 January, 2007 @ 12:48 pm
O sexto violino tocou na corda certa… Está tudo explicado.
Abraço Miguel!
Comment by Rui MCB — 5 January, 2007 @ 3:28 pm
Esperem lá… o José António Texeira é director do DN e faz comentário político na SICnot, em tempos, quando era director da TSF, também os fazia. Onde está o problema? Num colabora, noutro é director! A situação é idêntica, ou não?
Comment by Cecília — 6 January, 2007 @ 3:18 am