Cheira a Lisboa
Até parece que hoje todos os cães do mundo adubaram as ruas de Lisboa.
Até parece que hoje todos os cães do mundo adubaram as ruas de Lisboa.
LX Reporter. Eis um blogue utilitário para quem se interesse por estar a par de notícias sobre a grande Lisboa - muitas deles que têm pouco espaço para aparecer em órgãos de comunicação profissionalizados.
A iniciativa é gerida pelo blogger/jornalista Miguel Marujo (Cibertúlia) que aqui se saúda!
Por exemplo, já ouviu falar do Transporlis?
Já agora, no final do debate da noite pode provar os excelentes vinhos da Herdade de S. Miguel.
Pode vir mais cedo e ver a excelente exposição «Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?», dos fotógrafos da Kameraphoto, espalhada por todo o edifício — bem como a mostra de bibliografia & objectos pessoais de Pedro Tamen (assinalando os seus 50 anos de vida literária), no rés-do-chão.
Hoje, na Casa Fernando Pessoa, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, para debater o papel do Estado na Cultura, com José Fonseca e Costa, Rui Horta, Zita Seabra e Urbano Tavares Rodrigues. Às 21h30, em Campo de Ourique. O moderador é Carlos Vaz Marques.
||| Estado.
Adaptado de A Origem das Espécies
Aindei à cata de uma boa notícia (ou melhor de uma boa promessa) e lá consegui desencantar (que raio de palavra) esta no Diário de Notícias: Câmara quer acabar com os ecopontos e envolver a população na reciclagem. Assina Marina Almeida no Diário de Notícias.
Mudando de assunto: ando com saudades de ouvir um belo fado. O blogue (ou melhor este blogue anda muito ao abandono, mas lá terá de aguentar). Entretanto há novidades no Economia e Finanças, nomeadamente:
«Vereadores socialistas "aguentam" Carmona» escreve hoje o Diário de Notícias. Nada surpreendente diga-se. Na iminência de eleições intercalares para a Câmara, o PS ainda tem o trabalho de casa por fazer. É que se dúvidas houvesse Manuel Maria Carrilho continua a ser o candidato natural do PS à Camara Municipal de Lisboa.
Não há nada (pior) do que recomeçar a labuta com um choque de "urbanidade".
Antes de ir trabalhar desloquei-me ao posto de atendimento da Carris para me desfazer dos 7 BUC (bilhetes pré-comprados) da Carris que esta empresa vai substituir por um cartão com chip integrado (o Sete Colinas). Conseguem imaginar o que é que podia correr mal? Eu não consegui. Gato escaldado em troca de bilhetes com a Carris fui o caminho todo congeminando sobre o que é que podia correr mal.
A Carris já anunciou publicamente que aceitava a conversão dos BUC em novas viagens no Sete Colinas, por isso o que é que podia correr mal?
Eis o que é que pode correr mal:
CADA UTENTE SÓ PODE TROCAR 4 BUC.
Excerto do diálogo tido com a funcionária:
Eu: E se vier amanhã posso trocar o resto?
Ela: Pode.
Eu: Espere! E se eu deixar que atenda esta senhora e depois lhe pedir para me trocar o resto dos BUCS posso?
Ela: Pode.
Eu: Portanto o único problema é trocar mais do que 4 de uma vez?
Ela: Certo.
Eu: E já agora, posso requerer mais do que um cartão Sete Colinas por pessoa?
Ela: Claro que pode. Quantos quer?
Kafka anda à solta e o resto é chuva miudinha.
Adenda:
Estive a matutar nesta representação de Kafka e fiquei desconfiado que um tipo na Carris apercebeu-se que 5 ou mais BUCs equivalem a 10 ou mais viagens. Ora uma viagem custa 0,75 € (1,5 € por BUC) mas no novo cartão Sete Colinas 10 ou mais viagens tem direito a desconto caindo o valor unitário para 0,665 €. Assim, se o cliente trocar mais do que 4 BUCS tem o hipotético direito a receber a diferença entre, por exemplo, as 10 viagens do BUC que pagou (7,5€) e os 6,65 € das 10 viagens no Sete Colinas. A chatice é que no cartão Sete Colinas a compra de 5 viagens (2 BUCS e meio) já têm desconto ficando o preço unitário abaixo dos 0,75€ (cerca de 0,70 €), por isso a minha teoria cai por terra. Sinceramente preferia que me carregassem as viagens na quantidade e cartão que eu entendesse ao preço que já paguei por elas. O preço desceu para grandes quantidades? Porreiro, mas não preciso do "troco" de volta. Vai-se a ver e tudo não passa de algum problema no software de controlo de gestão por centros de custo ou coisa que o valha. Hiulariante mesmo seira se a Carris tivesse alguém na sua estrutura a trabalhar em algum serviço com o pomposo nome de CRM - Customer Relationship Management. Enfim, uma embrulhada com resultados absolutamente ridículos e negativos para a imagem e serviço da Carris e dos transportes públicos. Detalhes… a somar a outros.
Adenda II:
Informam-me agora que só se fazem trocas de BUC virgens… Ou seja, se por ventura já utilizou uma das duas viagens disponibilizadas pelo seu BUC o melhor é usar a outra até ao final de Outubro. Não precida se a usar até lá? Então dei-te o bilhete para o lixo ou ofereça-o a um desconhecido. Se não é virgem não dá direito a ser convertido em suporte magnético. Mais um detalhe…
Mais uma paragem. O autocarro da Carris abre as portas, entram alguns passageiros e no final da fila sem subir o degrau, compõem-se uma pergunta num português com sotaque tropical.
- Passa na Graça?
Em silêncio o motorista, rapaz novo de óculos de sol à "the fly" parece pensar…
- Ó chefe, este ônibus passa no Largo da Graça?
O "chefe" finalmente responde:
- Sinceramente não sei e para não o estar a enganar também não vale a pena.
Lá com os pés bem assentes na calçada, o brasileiro é todo estupefacção.
- O motorista não sabe se passa no Largo da Graça?!
- Não sei.
Fecha-se a porta e segue-se viagem. Foi assim em Lisboa, há poucochinho na carreira 42.
Trabalhar em Agosto é que é. A cidade está vazia, o tempo parece correr mais devagar. Os transportes públicos passam a transportes de luxo com lugares sentados disponíveis e ar condicionado. Há menos fumarada dos carros. Enfim, só vantagens.
Tirando o facto de fecharem quase todos os restaurantes decentes onde se almoçar, e de toda a gente com quem se fala estar de férias e a mandar postalinhos, o facto de estar um calor abrasador sem podermos combatê-lo com um belo mergulho e, claro, de os níveis de ozono que se atingem acima do alcatrão serem perigosíssimos para a saúde.
Apanhar o metro e quinze minutos depois estar sentado à beira Tejo, de costas para o casino, a bronzear-me ao luar. A última noite como esta foi lá longe, na Suiça, com os cotos a rasar o lago Leman… E afinal, a Suiça aqui tão perto.
*
Parte da cidade está cheia de tags de um tal RIP. Quando eu morrer não me importava de saber que ficava na campa uma contra-tag como a que se segue:
L.I.P.
Live In Peace
A ler (e ver) "Collective madness, as usual" n’O Mundo de Cláudia.
1. Amanhã vou comprar o Diário de Notícias mas vou dar um desconto se houver problemas de edição, gralhas e afins, ou então vou lê-lo com uns abafadores nos ouvidos, para lhe reduzir o ruído de fundo.
2. E já agora, morando encostado a um dos bairros mais brasucas de Lisboa, vou reservar algum desconto para mim; aqui por debaixo do parapeito ele passou gingando e respondendo em homenagem aos derrotados: se o Brasiu ganhar eu fico bêbado, se perder eu fico bêbado.
3. Garanto-vos que fazendo dieta de enchidos mediáticos sobre futebol, como tenho feito, este Mundial de futebol está a sair com uma pureza cristalina.
4. Haja alegria em campo a partir das 20h. Por favor.
Ricardo Alexandre Martins Soares Pereira "de Portugal".
Este é um daqueles momentos em que o nome próprio não chega.
Logo, ainda pode haver mais festa…
Adenda: "Caro JCD" no Blasfémias
1 de Julho de 1906 - 1 de Julho de 2006, 100 anos de Sporting Club de Portugal.
Sporting 1
Sporting 2
Sporting 3
Hoje vi o jogo no centro de saúde*. O que por lá vi dava para colorir umas páginas de um livro, uns salpicos pelo meio de uma outra história. Será que é assim, indo ver jogos de bola para o centro de Saúde, que se enchem chouriços (que por vezes são o melhor que alguns livros têm)?
Sobre a angústia do escritor enquanto jovem ignorado leia-se na primeira pessoa este relato da vizinha Dunyaze no Escrita. Começa assim:
"Mandei .. três (3) e-mails a três (3) editoras perguntando se podia enviar para apreciação o meu último livro. Neles descrevia a história e dava a ler um trecho do 1º capítulo (para terem uma ideia do tom da obra).
A semana passada. Até agora nenhuma me respondeu. Fixolas.
Epá, eu tive a cortesia de perguntar primeiro, percebem? Porque não quero estar a desperdiçar o tempo deles - nem o meu. Já para não falar do dinheiro (que é escasso e usado em comida porque, infelizmente, os escritores não vivem do ar nem da puta da Musa e têm de comer todos os dias).
Assim o que é que eu faço? Mando à mesma o manuscrito? Não mando? (…)"
* Não posso deixar de dizer que o atendimento e o serviço foram excelentes, dos administrativos à médica de família, passando pela enfermeira: a anos luz de outro que recebi numa clínica supostamente toda pipas, para as bandas de Alvalade. Serviço Público 10, Serviço Privado 0.
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