Ex - Adufe 3.0

7 November, 2007

SEO – The free

Filed under: Blogologia, Economia, Media

No Marketing de Busca, o António Dias esclarece, provoca, dá dicas e pergunta há vários meses sobre questões envolvendo o genérico e todo popular tema de Search Engine Optimization.
O SEO mandará que a referência forte seja ele próprio contudo o nome Marketing de Busca parece-me particularmente feliz para malta lusófona.
Num dos últimos artigos abordou a questão do Page Rank a propósito da recente revisão que o google fez a uma boa parte das páginas rastreadas. Por aqui assiná-la-se que este autêntico blogue patrocinado (e este posts Não é patrocinado) foi finalmente penalizado de forma significativa pelo todo-poderoso google levando com um downgrade de PR 4 para PR2. Comparando com o que se passou com o blog do António só posso considerar justíssimo o tratamento diferenciado, ainda assim tenho algo a confessar: divirto-me genuinamente a encontrar formas diferentes de abordar os temas que os patrocinadores me propõem sejam eles contratos por links ou análises genuínas e incondicionais a páginas e empresas. Além deste divertimento muito moderadamente remunerado, há ainda outro ponto de honra para que esta brincadeira continue. Todas e quaisquer palavras patrocinadas serão sempre identificadas enquanto “Publicidade”.
E agora se me dão licença vou precisamente tratar aqui de um cliente ;-)

5 January, 2007

Incompatível na TSF? Yeah Right!

Filed under: Media, Desporto

"O dia de ontem foi único em 50 anos que Fernando Correia não pertenceu à rádio. Depois de ter sido despedido da TSF anteontem, o jornalista, conhecido por ser a voz da Bancada Central e uma das mais conhecidas vozes do relato radiofónico de futebol, acabou hoje por aceitar um convite feito pelo Rádio Clube Português (RCP) que arranca com um novo projecto, com grande ênfase na informação, no próximo dia 15. (…)" 

Notícia integral no Público On-line

Nota adicional: como recordava hoje o Sexto Violino num comentário ali de baixo, Joaquim Oliveira (dono da TSF) prepara-se para lançar em breve um diário desportivo gratuito. Só que já não será o primeiro, não é caro Fernando Correia? Mais uma vez, boa sorte.

4 January, 2007

Boa sorte estimado jornalista Fernando Correia

Filed under: Media, Desporto

Fernando Correia é o director do novo jornal "Diário Desportivo" que estará disponível em distribuição gratuita na próxima semana. Oito jornalistas, dois directores, muitos colaboradores externos. Foi o que li hoje na imprensa em jeito de apresentação. De caminho, devido "à incompatibilidade entre os dois meios (!)", terminará a sua carreira na TSF. Acabaram-se os relatos? Já tenho saudades.

Só para que conste e nem sequer relevando significativamente os relatos (e a bancada central), Fernando Correia está para mim no top 10 dos Jornalistas portugueses. Noupe, não me esqueci de acrescentar desportivos. Esforço, dedicação, devoção e… isenção. Suponho que este poderia bem ser o lema que nos tem deixado. Aliás, o que é isso de ser-se jornalista desportivo?

P.S.: Para se perceberem melhor alguns pormenores envolvendo a saída de Fernando Correia da TSF convém ler esta peça do Público a que cheguei via Gabriel do Blasfémias
(more…)

31 December, 2006

Uma história triste

Filed under: Media, Política

Leio com regularidade o Paulo Gorjão e recordo-me de ele ter pedido em várias ocasiões aos jornalistas para exporem as suas fontes… Em todas as situações em que a informação com origem nessas fontes se provava falsa, rotundamente falsa; situações que coincidiam muitas vezes com a ausência de comentário por parte dos órgãos de comunicação que (inadvertidamente?) enganavam os seus leitores e pareciam conviver bem com isso.

Parece que assumir a necessidade de expor as fontes é em si (sem excepção) suficiente para granjear o título de pidezinho na opinião de João Pedro Henriques. Quando Manuel Pinho desmentiu uma manchete do Jornal de Negócios há alguns meses e o dito Jornal, perante o desmentido, revelou que a fonte para a manchete desmentida tinha sido o próprio Manuel Pinho juntou-se ao rol dos pidezinhos da lista de João Pedro Henriques?  Outro tipo jornalismo talvez…

Sinceramente não tem ponto por onde se lhe pegue a argumentação do vizinho JPH. O papel dos jornalistas não deveria ser este. O entrincheiramento perante questões razoáveis ao seu trabalho deveria ser visto como o pior dos caminhos… E eu a pensar que os leitores de jornais é que eram maniqueístas, fruto da sua natural maior ingenuidade face às coisas do mundo.

Em suma, não percebi. Overreacting em bola de neve ou… identificação perfeita com o epíteto atribuido pelo Paulo?

Melhores entradas para 2007!

14 December, 2006

Revisão de cerca de 40% na estimativa do crescimento alemão para 2006

Filed under: Economia, Media

O título bombástico é provocatório mas infelizmente encontra paralelo na prática de muita imprensa nacional. A mesma que qualificou de duplicação do ritmo de crescimento do PIB no terceiro trimestre a passagem de uma variação do taxa de variação homóloga do PIB de 0,8% para 1,5%; sendo verdade, dá uma ideia que pouco adiante para a adequada análise da relevância dos números e evoluções em apreço.

Sim, meus amigos, lá corro o risco de apanhar com mais um rótulo corporativo e desta vez com a agravante de ter um pé num dos lados de uma barricada… Ontem constatei a gritante ignorância (ou má vontade) deixada por Martim Avilez Figueiredo (director do Diário Económico) num comentário que fez na SIC Notícias (veja-se aqui o detalhe). Hoje, a propósito desta notícia a que chego via Jornal de Negócios:

"O IFO, um dos mais respeitados institutos de conjuntura económica, reviu hoje em forte alta a sua previsão de crescimento para o PIB da Alemanha, prevendo agora que a maior economia europeia cresça este ano 2,5%, mais sete décimas do que a anterior previsão. (…)"

recordo um editorial de Bruno Proença (também no Diário Económico - 11 de Dezembro) onde entre outras coisas se lia isto:

"(…) O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu os dados passados do comércio internacional e o contributo da componente externa para o produto é menos positiva, já que as importações foram superiores ao revelado pelos dados preliminares. Os valores de base das previsões estavam errados. Isto sim é preocupante, porque acontece vezes demais. As revisões das séries estatísticas por parte do INE são, infelizmente, um hábito, que coloca a nu as fragilidades do sistema estatístico nacional. O que parece ser, afinal não é. Normalmente é pior. A situação atingiu uma tal dimensão que o Banco de Portugal já alertou diversas vezes para esta situação e coloca reservas nas suas previsões, pois não confia nos dados em que se baseia A bola está do lado do INE: tem muito para fazer para melhorar a qualidade e a fiabilidade dos dados que divulga. (…)"

E fico a matutar sobre o que dirá Bruno Proença do IFO (um dos mais prestigiados institutos de investigação económica internacional) que conseguiu a proeza de rever em 7 décimas a estimativa de crescimento para 2006… a 15 dias do final do ano. Também fico a matutar noutros factos, como sejam: conhecerá o Bruno Proença a dimensão das revisões das estatísticas produzidas directamente pelo Banco de Portugal? É que o Banco de Portugal também produz estatísticas que até são input para as estatísticas do INE (por exemplo para as contas nacionais trimestrais) e que até têm revisões históricas importantes com regularidade.

Mas mais importante do que tudo isto pergunto se Bruno Proença saberá da dimensão e frequência das revisões consideradas aceitáveis e/ou inevitáveis para os respectivos valores do PIB (para pegar num indicador chave) provenientes do Bureau of Economic Analysis dos Estados Unidos, do Central Statiscs Office do Reino Unido, do Central Bureau of Statistics Holandês ou do Economic and Social Research Institute do Japão para citar apenas alguns dos mais prestigiados? Quando souber as respostas a estas perguntas e conhecer os motivos que são aceitáveis e em larga medida inevitáveis para justificar as revisões, bem como os que são inaceitáveis e endógenos aos produtores de estatísticas talvez possamos começar a discutir seriamente formas de melhorar a qualidade das estatísticas nacionais e, nomeadamente, o trabalho do INE. E não me entendam mal, há muito para melhorar no INE, não acredito que haja quem por lá trabalhe que defenda o contrário.

Entretanto deixo aqui um convite que o INE lança a todos os utilizadores de informação estatística e que julgo constituir um pequeno exemplo de algo que tem mudado para melhor e que tem potencialidades interessantes, participem no:  Ciclo de workshops para Jornalistas.

A falar é que a gente se entende.

13 December, 2006

MPB.pt

É uma sugestão para as prendas de natal, pois então! Entrevista Carlos Vaz Marques respondem músicos populares brasileiros que passaram por cá. Tudo junto num livro e num CD. Edição da Tinta da China.

 

 

Não dá para perceber… Bater no ceguinho só por gozo?

Filed under: Economia, Media

Ontem na SIC Notícias fui surpreendido pelas declarações de Martim Avillez Figueiredo (director do Diário Económico) relativas à falta de credibilidade das estatísticas do INE. Portugal não tem estatísticas credíveis afirmou, focando particularmente as económicas. Afirmou ainda que o Banco de Portugal não usa as estatísticas do comércio externo provenientes do INE! E chegou a classificar o Eurostat como entidade reguladora das estatísticas europeias - quem dera ao Eurostat ter todo esse poder… Finalmente, no mar de tanta falta de credibilidade temos as estatísticas salvadoras do Eurostat relativas à confiança dos empresários que, de facto, dão a entender que as coisas poderão melhorar. Terminou sublinhando que nos EUA até há estatísticas sobre a confiança dos consumidores !

Meus amigos, o INE terá muitos problemas crónicos, graves e que exigem uma resposta à altura das novas exigências informativas, mas quando alguém ataca a credibilidade do INE revelando no mesmo discurso tanta ignorância sobre o que o próprio INE faz, esse alguém seguramente não poderá contribuir para a solução do problema. Digo isto porque simplesmente oferece como alternativa o rolo compressor que leva tudo a eito. Precisamos é de joeirar a coisa para fazer boa farinha e não de arrastar tudo para a lama.

Só para que conste (mais uma vez - alguns se recordarão que este tema já foi exaustivamente abordado no velho Adufe), o Eurostat não tem por missão produzir directamente nenhuma estatística, não realiza inquéritos regulares, procede quando muito a alguns tratamentos como sejam correcção de sazonalidade e preocupa-se essencialmente com a compilação das várias estatísticas nacionais para tentar chegar a um todo coerente a nível europeu, no meio de tanta diversidade metodológica.

Os indicadores de confiança dos empresários que Martim Avilez Figueiredo considera credíveis e como um farol sobre o que realmente aí vem na economia nacional, são divulgados não pelo Eurostat mas pela Direcção Geral de Economia e Finanças da Comissão Europeia e, pasme-se, são produzidos quase na íntegra pelo Instituto Nacional de Estatística (Indústria Transformadora, Serviços e Comércio); a excepção é o da Construção que é realizado pela AECOPS. Ah! E o INE (também com divulgação pela DGECFIN) realiza um inquérito à confiança dos consumidores desde, pelo menos, 1986. Uma última exclamação: a comissão europeia co-financia os custos de realização dos inquéritos após concurso público!

Confesso que não consigo entender aquela intervenção a que assisti ontem na SIC Notícias. O que é certo é que dava muito jeito ao INE ter críticos que prezassem a sua própria credibilidade, que se informassem (por exemplo com o que se passa lá fora em termos de revisões às séries estatísticas) e que de caminho se dedicassem a exigir melhores estatísticas sobre o país. Estão abertas vagas… 

7 December, 2006

Saiu à rua

Filed under: Economia, Media

O PIB para o 3º trimestre é de domínio público. Subiu 1,5% em termos homólogos, caiu 0,2% em cadeia.

No Economia e Finanças, em actualização constante, apresenta-se uma compilação das notícias sobre o assunto que vão surgindo na imprensa. A primeira referência (da Lusa) é particularmente… curiosa.

O post chama-se "No comments". Noutro momento talvez se sigam alguns comentários aos comentários da imprensa.

3 December, 2006

Continência!

Filed under: Economia, Media, Política

Em termos temporais quando os governos de Cavaco abriam caminho para que muito generosamente todos os professores pudessem, com a devida antiguidade e uns cursinhos (sobre astrologia por exemplo - lembra-se?) chegar ao topo da carreira (que agora Sócrates tão tenazmente se propõe reestruturar), os disparates voluntaristas na área da Defesa seguiam outro rumo: a extinção do SMO (que teria de esperar uma década para se concretizar) mas que tiveram como sub-produto as tais incorporações "rapidinhas", as tais que eram também "rapidinhas" a desfalcar o orçamento e a lançar no desespero os racionalistas no seio da organização militar.

Mas o João tem razão. Como aliás também o afirmo algures, hoje outras áreas do aparelho do Estado se juntaram à urgência e gravidade de que falo. Muito do que escrevo podia ser escrito sobre outras áreas.

O segredo da boa governação e da boa participação cívica está em tomar o pulso às intensidades e em apreciar até onde se pode ir sem comprometer as funções do Estado que, tanto quanto sei, ainda ninguém teve a coragem de rever.

Por exemplo complicar a chegada dos professores ao topo da carreira não me parece algo que possa pôr em causa o sistema educativo e os seus objectivos; provavelmente contribuirá para a sua dinamização se se implementar a exigência, a competitividade técnica e a justiça.

Já ter o compromisso de comprar uns submarinos sem que se garanta verba para formar militares para os operar ou até verba para os poder pôr a "mergulhar" me parece relativamente mais grave se quisermos avaliar a acção do Estado. O número de furos que há para apertar nos cintos de cada área da governação não é o mesmo caro João, essa é que é a chatice, e era isso que gostava que fosse tentando perceber.

E caro João, este cenário hipotético projectado para o futuro dos submarinos vindouros baseia-se largamente em realidades passadas. Incómodas, menos conhecidas que outras relativas a áreas mais "prioritárias", mas demasiado perenes e cheias de barbas brancas. Algo que aconteceu precisamente porque a Defesa sempre se resumiu a produzir posições maniqueistas e juízos terrivelmente simplístas. Em suma, uma fatalidade.

2 December, 2006

Pior cego é aquele não quer ler

Filed under: Economia, Media, Política

Quando para começo de conversa reduzimos a exposição de factos a um choradinho ultra-corporativista e entramos a abrir com elevado sarcasmo, desculpe a sinceridade, chegaremos seguramente a uma pobre correspondência, caro João.

Quando continuamos constatando o óbvio de que andamos em tempo de decisões, onde muitas vozes com interesses estabelecidos dizem de sua justiça, para com isso desvalorizar "mais uns" que falam, chegamos a uma concepção infeliz de participação cívica e de tomada de posição democrática.

Quando não achamos nada de especialmente digno de nota o facto de que talvez até tenhamos tido mais Ministros da Defesa quanto Ministros da sempre polémica e emotiva área da Educação e de seguida desvalorizamos qualquer situação grave que possa subsistir há anos na Defesa porque há outros problema noutras áreas da governação, transmitimos uma concepção das funções e capacidades do Estado muito suis generis. Diria que muito pouco abonatória das capacidades executivas deste regime.

Mas é interessante que foque este aspecto João, na minha opinião a volatilidade dos Ministros da Defesa resulta apenas da baixa prioridade desde sempre dada à Defesa, eu diria mesmo do total desconhecimento e desprezo, com a consequente falta de objectivos do poder político durante os últimos anos. Na Educação o problema talvez tenha sido "excesso de paixão"…

A sua recomendação final:

"E, já que vem a talhe de foice, obviamente que não considero a Defesa como uma das nossas prioridades de primeira linha no actual momento. Diria que se trata de uma posição realista."

tem sido escrupolosamente seguida há demasiado anos, particularmente pelos governos socialistas, o que juntamente com alguns assaltos ao erário público patrocinados pelos governos do PSD e pelo mais recente Ministro Paulo Portas (a tal questão dos complementos de reforma que Mendes Cabeçadas classificou hoje em entrevista à TSF e ao DN de impraticável por serem orçamentamente inviáveis), tem levado a sucessivos desperdícios financeiros para o Estado e sua consequente descredibilização sem que deles as FA tirem proveitos ao nível da sua produtividade.

Em certo sentido não se trata de uma questão de prioridades caro João, trata-se de uma situação de emergência. Há uma emergência para que o poder político defina o que quer e que o adeque ao quanto pode, garantindo de caminho a máxima eficiência e eficácia dos recursos existentes. Andar sistematicamente a encher um e a esvaziar outro balão, simplesmente não é praticável quando as depesas de investimento são tão avultadas e os custos de manutenção e de utilização facilmente antecipáveis. Numa palavra falta: gestão. Em duas falta: estratégia. Em três falta: conhecimento. Em quatro falta: responsabilidade.

O que está em causa, caro João, não é, ao contrário daquilo que quer fazer crer, uma posição de elevada superioridade das FA face ao comum funcionário público ou apenas (ainda que também) onde cortar com a despesa corrente. O que deve estar em causa é o objectivo das Forças Armadas, é a pergunta do "para que é que elas devem servir". Se há menos dinheiro reduza-se ainda mais o efectivo porque seguramente não haverá também dinheiro para inevitavelmente avultados investimentos em equipamento. Melhor, extingam-se os ramos, limitemo-nos a ter polícia marítima e uns helicópteros para missões de salvamento. E tenhamos coragem de assumir tudo o que isso implica. Ou será que essa discussão não lhe interessa?

Caro João, tudo seria mais higiénico e honesto se cidadãos como João ou como Vital Moreira tivessem a coragem para assumir de forma mais clara e mais lata aquilo que defendem para a expressão militar da soberania nacional. É que, por muito que lhes custe e que seja incómodo à estratégia de resumir tudo a questiunculas mais ou menos umbiguista e pouco solidárias de "mais um grupo" corporativo, há um ponto abaixo do qual todo o investimento na Defesa Nacional é um desperdício. Em vez de poupar uns quantos milhões no Ministério da Defesa face ao ano anterior está a desperdiçar tudo o resto que para lá destina.

Como é óbvio, a resposta fácil que me envia na volta do correio alegrando-se em denunciar mais uma corporação passa completamente ao lado daquilo que o país deveria estar a exigir deste governo: uma justificação mais do que financeira para as reformas que tem pela frente. É esse o exacto grau da dificuldade do "estado a que isto chegou" particularmetne na área da Defesa, onde a questão é urgente há demasiado tempo.

Termino pedindo-lhe também desculpa pela sinceridade, mas tendo ouvido atentamente as perguntas do seu colega Eduardo Dâmaso ao Almirante Mendes Cabeçadas, fico convencido de que próximos editoriais no Diário de Notícias sobre a área da Defesa beneficiarão dos conhecimentos mais aprofundado do seu colega. O Eduardo Dâmaso que lhe explique o que levou aos custos que o Estado tem de pagar com intervenções especiais fora do País e já agora que lhe conte como se têm processado esses pagamentos em alguns casos.

Um grande abraço e, apesar das críticas, obrigado pela resposta.

1 December, 2006

Os militares - um debate adiado

Filed under: Economia, Media, Política

Estimado João Morgado Fernandes, director adjunto do DN (e se me permite caro vizinho) segue esta em jeito de carta. Poupo-me a enviá-la para o DN pois não quero competir com os escrevedores de cartas habituais que em tempos por esta esfera foi apresentando, por isso além de seguir por mail "não oficial", tomo a iniciativa de lhe dar pretexto para aqui trocar umas ideias sobre o seu editorial de ontem se assim o entender.

"Quando, no início desta legislatura, se percebeu que o Governo, forçado pelas circunstâncias orçamentais, se preparava para nivelar por baixo muitas das regalias dos portugueses, a começar por aqueles que mais directamente dele dependem, também se percebeu que a tarefa não iria ser nada fácil, que a paz social dos últimos anos estava posta em causa.

Diga-se que, até agora, aquilo a que se convencionou chamar de "rua", ou seja, os protestos populares, fica relativamente aquém do que seria de esperar tendo em conta as várias frentes de guerra entretanto abertas pelo Governo.

Chegou agora a vez dos militares. (…)"

Posto isto assim parece-me que começamos logo colocando as coisas numa falsa perspectiva. Poderá até parecer que em Abril de 2005, quando este governo iniciou funções, haveria paz social entre os militares e o poder executivo e que agora, quando finalmente lhes calha na rifa terem de dar o seu contributo lhes saltou o verniz… Atrevo-me a dizer que haverá muito poucos, se algum, grupo de servidores do Estado onde a paz podre é tão antiga. Diria mesmo que desde que se iniciou a inevitável e indispensável modernização das Forças Armadas (FA) em 1989 - salvo erro com Fernando Nogueira - que o relacionamento se tem vindo a degradar, mais pela falta de rumo estratégico e táctico dos sucessivos governos do que pela simples e relativamente pouco danosa reacção corporativa.

" (…) Há um discurso recorrente acerca da falta de modernização, ou adaptação, das forças armadas portuguesas ao período pós-guerra colonial que é, em certo grau, uma falácia - o serviço militar obrigatório acabou, houve um redimensionamento das estruturas e os militares portugueses são crescentemente solicitados a tarefas que exigem grande profissionalismo, como é o caso das missões no exterior, dando sempre boa nota de si. A adaptação está, portanto, a ser feita, sem que daí esteja a resultar qualquer quebra de prestígio da instituição.

Há, no entanto, no País uma evidente falta de recursos, a começar por aqueles que o Estado tem à sua disposição. (…)"

Se nos centrarmos em anos mais recentes o descontentamento face ao desnorte na gestão das FA patrocinado pelos avanços e recuos das decisões políticas (crescentemente focando também os benefícios particulares previstos para os pessoal militar) tem sido evidente e alvo de notícias, algumas das vezes por via de palavras "corajosas" de Chefes de Estado Maior outras, muitas outras, saíndo da boca do Chefe de Estado Maior Supremo das Forças Armadas, um tal de Presidente da República. Apelo à memória do João Morgado Fernandes.

Como perceber o afã de extinguir o Serviço Militar Obrigatório (SMO) e o seu posterior adiamento sucessivo por falta de decisão política? A demagogia política vitimou vários Ministros desta área quando finalmente se percebeu que extinguir o SMO exigiria (como as chefias militares sempre disseram) maiores investimentos orçamentais pois sai mais caro aliciar voluntários (a contrato) do que pagar o pré a recrutas. E no entretanto quanto se desperdiçou em dinheiros públicos com incorporações de 4 meses durante anos e anos, sem qualquer vantagem militar (ou orçamental) para o país? Quantos anos, por exemplo, andaram os Tribunais Militares em processo de encerramento - e quantas vezes Jorge Sampaio invectivou o Governo para que se cumprisse definitivamente a lei? Quantos anos andaram (e ainda andam) algumas unidade militares em processo de encerramento sem que haja determinação política para definir o modelo ou que se chegue à frente com o dinheiro que por vezes se tem de investir para centralizar antes de poder colocar à venda o imobiliário libertado? Quantas vezes material militar dispendioso e nalguns caso acabadinho de comprar tem ficado em "doca seca" por falta de verba para combustível ou mesmo de pessoal especializado com o treino de manutenção mínimo para os poder operar? Quantas versões diferentes conheceu a Lei de Programação Militar ao longo dos últimos anos? Quantos Ministros da Defesa teve este país desde 1989 e quantos governos? Quantas vezes a política para a Defesa mudou de rumo?

Como vê caro João, a modernização está em curso, mas em muitos sentidos tem-se caminhado de derrota em derrota até à vitória final, caminhando por terrenos sinuosos em vez de se edificar a estrada. Se há hoje exemplos de excelência no exercício notório dos militares em algumas missões os créditos devem-se demasiadas vezes ao proverbial desenrascanço e abnegação dos militares e muito menos do que desajável ao enquadramento estruturante de um poder executivo que sabe para onde vai.

Não caro João, a vez dos militares não chegou agora, os protestos dentro da lei mas por vezes bem sonoros têm-se repetido ao longo dos anos. A desmotivação do pessoal, a sensação de algum desprezo e desnorte por parte do poder político têm feito mossa há anos a fio e a perda de benefícios decorre de forma igualmente soluçante há demasiado tempo. É à luz deste acumular de desgaste que entendo a sempre criticável e provavelmente ilegal exposição pública dos militares em passeio. É por tudo isto que não é sério este seu parágrafo apresentando "a novidade":

"(…) Com a chegada do esforço de contenção aos militares, assistimos nos últimos dias a manifestações, exposições ao PGR e, ontem, à divulgação de uma carta escrita pelo ainda chefe das forças armadas, embora aparentemente o seu conteúdo vincule as chefias dos três ramos. (…)"

Como o CEMGFA escreveu na missiva que chegou à imprensa, há menos de um ano que aspectos fundamentais para as carreiras dos militares foram substancialmente alterados como sejam a exigência cumulativa de tempo de serviço e idade para estes acederem à reforma (levando na prática a que a médio prazo a reforma se generalize apenas aos 60 anos), as progressões automáticas, o congelamento do tempo de contagem para efeitos de progressão e reforma e a redução de direitos ao nível de prestação de cuidados de saúde a familiares. O que se prevê (previa?) neste orçamento ia mais longe, harmonizava, em muitos sentidos, recusava assumir a existência de diferenças substanciais entre a condição militar e a de qualquer outro funcionário público. Quando o CEMGFA reclama «uma "simbiose indissociável" entre direitos e deveres» que julga indefensável, não entendo que o faça «como se isso não fosse assim em qualquer outra profissão», mas antes como isso não estando a ser assim com os militares. Seria interessante ir aliás um pouco mais fundo do que vai o CEMGFA, talvez por pudor, na identificação dessas especificidades que não se restringem à limitação de direitos liberdades e garantias constitucionais, mas que passam pelos próprios direitos e deveres profissionais não exigíveis a qualquer outros funcionário público, tantas vezes convenientemente menorizados. Recordo por exemplo, o dever de prontidão total, a não remuneração de horas extraordinárias, a inexistência de limitações legais ao número de horas de trabalho semanais e naturalmente ao risco de vida latente (e variável com o enquadramento político-militar do país). Onde, na condição militar estarão, no futuro previstas as compensações para estas especificidades dos militares? Quais serão esses benefícios? Poderão eles ser apenas atribuídos aos contratados como forma de aliciamento que garanta  recursos humanos mínimos para o cumprimentos das missões das FA sem que sejam igualmente oferecidos aos profissionalizados quadros permanentes?

Sim caro João, os militares juntam-se a outros reclamando a sua especificidade, cabe-nos a nós e ao Estado ir além do julgamento sumário e, em cada caso, apreciar e decidir como distribuir os escassos recursos disponíveis, sendo certo que ter FA sai caro e que há um limiar abaixo do qual a decisão racional e patriótica poderá ser o de extinguir as ditas Forças Armadas pois a ser assim, estas serão claramente um bibelot sempre demasiado dispendioso para Inglês ver.

Quanto as seus dois últimos parágrafos do Editorial de ontem:

"(…) E estranha-se a insensatez de passar a papel reivindicações de carácter parassindical, entremeadas de veladas referências à instabilidade nos quartéis, permitindo que a divulgação desta carta se associe à irresponsabilidade das associações do sector que já falam na perda de controlo da situação.

Provavelmente, não é pela via do corte de regalias que a instituição militar está em risco de ver minados os seus "fundamentos éticos" e o seu prestígio."

Espanta-me um certo desplante, que já aqui foquei ontem perante a indignação de Vital Moreira referindo-se ao pronunciamento do CEMGFA. Não tenho a ingenuidade de tomar por adquirido que a fuga da carta tenha partido do CEMGFA (nem o cenário inverso) e, confesso, para o que o João sugere tal acaba por ser pouco relevante. O que critica é ter havido uma exposição escrita, seguramente resultando como síntese da reunião havida entre as chefias militares. Não faço a mínima ideia como é o relacionamento pessoal entre o CEMGFA e o actual ministro, mas consigo imaginar situações onde é preferível eu comunicar por escrito com o meu chefe, ainda que tenha com ele um diálogo frequente, nomeadamente para minha defesa pessoal, do meu brio profissional e mesmo para facilitar sem ruído a comunicação a outrem daquilo que quero dizer (por exemplo ao Primeiro Ministro). Perante a fuga de informação o CEMGFA pecou pois patrocinou-a ao ter escrito em vez de falado? Será isso? Este é um argumento que não entendo e que dá para, mais uma vez, questionar a seriedade e o esforço de imparcialidade que acho exigível quando se escreve opinião num editorial de jornal. Enfim, fica com a opinião deste leitor que o estima e lhe estima a opinião.

Finalmente a última frase que serve corolário ao que acabei de dizer. Concordaria consigo se estivesse a insinuar que já é tempo de termos um política defesa coerente, consistente e duradouro à falta da qual se colocam em risco  os fundamentos éticos e o prestígio da instituição militar e do país, mas parece-me que exige ao militares que, em qualquer condição, se mantenham no seu posto aguentando com todos os desvarios e ilegalidades sobre eles lançadas pelo poder político. Tenho para mim no entanto que há um limite a partir do qual esse respeito deixa de ser um bom serviço à nação. E longe que estamos de levantamentos militares a reacção "corporativa" dos militares só será perigosa se nos limitarmos a toma-la como mais uma peça do folclore de vacas magras. Perigosa porque estaremos correndo o risco (talvez o risco mais presente e mais gravoso que este governo enfrenta com as reformas que tem de encetar) a deitar fora o menino com a água do banho.

Um abraço,

Rui Cerdeira Branco

30 November, 2006

Mais um “bom” exemplo jornalístico

Filed under: Media, Política

" (…) futuro chefe do Estado-maior participou na carta enviada ao Ministério da Defesa"

Reunião=Carta diz o Público.

A presunção de inocência (act.)

Filed under: Media, Política

Eis algo que só serve para certos casos: a presunção de inocência. Vital Moreira já sabe que terá sido o CEMGFA a fonte que tornou público o conteúdo da carta que escreveu há quase um mês ao (segundo) Ministro da Defesa do actual Governo. CULPADO de "pronunciamento", segundo as suas palavras. Mas ainda assim pergunto, perante o risco da fuga para o público de eventuais missivas será que Vital Moreira defende que o CEMGFA se deve escusar de enviar cartas ao seu superior hierárquico/ministro da tutela? Que formas de comunicação serão legítimas?

Se calhar é melhor legislar que as chefias militares além de estarem sujeitas às limitações aplicáveis a todos os outros militares apenas estarão autorizadas a dirigir-se à tutela por via do sussuro a ouvido ministrial na presença de um dispositivo distorcedor de eventuais escutas, não vá alguém estar a gravar alguma coisa e atirar com um "pronunciamento" para a imprensa. Ou melhor ainda, comunique-se por sinais de fumo, mas sem pólvora. Enfim, convém ir tomando nota… Sublinho que atentar numa avaliação da razoabilidade ou não das razões dos militares continua a ser olimpicamente ignorada. Tudo se resume a um "nós" contra "eles". E uma mudança de posição do Governo é um gravíssimo recuo de lesa pátria. Eu prefiro denunciar que o confortável exaltamento da legitimidade jurídica encontra um estímulo particular nas fraquezas, ignorância e talvez mesmo vergonha das razões de facto.

Quem parece não alinhar por esse diapasão é o Ministro da Defesa, que, como tantos outros, perante as evidências refreou o discurso demagógico. Aparentemente terá mesmo emendado a mão do governo em algumas das decisões e omissões mais polémicas que subsistiam.

João Morgado Fernandes é mais polido no seu editorial mas também chega lá. Por falar em chegar lá, falta-me o tempo para mais delongas, mas a promessa mantêm-se.

Os militares no day after

Filed under: Media, Política

A ler o artigo de hoje no DN «CEMGFA irritado com divulgação de carta e já "sem razões de queixa"» e o editorial de João Morgado Fernandes "Os militares".

Ao vizinho João aproveito para convidar para passar por aqui mais logo, ou talvez amanhã, pois tenho alguns reparos ao seu editorial, digno de um blogger atento às últimas notícias, mas seguramente manco para quem deveria ter mais alguma memória e informação sobre a história recente (dos últimos 20 anos para cá) do que se tem passado no Ministério da Defesa Nacional. Não sei se terá pachorra para ouvir um defensor de mais uma corporação mas ficará por aqui a tentativa de diálogo.

Para começo de conversa deixo-lhe uma pergunta para ver se o João me pode ajudar numa estatística para a qual não tenho tempo disponível: quantos governos houve desde o 25 de Abril e quantos Ministros da Defesa, das Finanças, da Justiça, da Educação e dos Negócios Estrangeiros tivemos. É um indicador muito grosseiro mas estou curioso para ver o que dá pois julgo que ajudará a perceber algumas coisas. Havendo tempo disponível, aqui deixarei o meu contributo.

26 November, 2006

Quantas mulheres teve Omar Shariff

Filed under: Blogologia, Media, Diário, Humor

Caro Pedro Mexia ,

a última vez que ouvi alguém rir tão bem de si próprio (como me parece que leio no Estado Civil) foi numa entrevista de Omar Shariff a Herman José, já há alguns anos.

A menos que a comparação resulte de um erro de análise meu (é o mais certo), fica mais uma prova de que há dois caminhos inteiramente distintos para se chegar a romA. Por outro lado, pode ser que chegando-se lá pelo atalho, haja tempo para passear pela alternativa bem animada que Shariff experimentou. Em desespero de causa faça-se sócio do Sporting. O Santo António em Alvalade e a sempre verde esperança e tal.

Escrevia eu no velho Adufe a 15 de Abril de 2005:

"Devo estar a ficar velho. Cada vez acho mais piada às figuras que faço.

Quando ainda via os programas do Herman lembro-me de ter apanhado uma entrevista a Omar Shariff um grande actor (egípcio) que fica para a história do cinema pelo protagonismo em Doutor Jivago, entre outros.
Em poucos minutos abordou a carreira, os vícios, breves trechos da sua vida privada. Recordo-me dessa entrevista em particular pela espantosa capacidade que demonstrou em fazer humor, um humor com classe, de alto nível, daquele que dispensa asneiradas e que é absolutamente transversal, entendível por qualquer ser humano, independentemente de classe, credo e demais diferenças de cultura. Basta que se tenha vivido.

O seu humor era particularmente desarmante porque se ria de si próprio. O tipo que melhor conhece à face da terra.
Penso para comigo que chegar aos oitenta assim, não seria nada mau. Se pudesse ser mais cedo, melhor ainda.
Mas é difícil, demasiado difícil."








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